Alimentação e compaixão: Por quê? Para que? Como?

Alimentação e compaixão: Por quê? Para que? Como?

Você sabe o que é compaixão? A compaixão é estar com o outro, nem acima e nem abaixo, mas junto, na tentativa de aliviar o sofrimento. Segundo Thupten Jinpa, autor do livro “Um coração sem medo”, a compaixão é uma qualidade inata e sua expressão através da bondade é algo completamente natural”. A compaixão nos dá a possibilidade (recursos) de tocar a dor de forma mais suave; nos relacionando melhor com ela.

De acordo com Kristin Neff, uma das maiores pesquisadoras em auto compaixão no mundo, existem três elementos fundamentais para o cultivo da compaixão:

  1. Mindfulness: você precisa estar atenta (o) para perceber o que está acontecendo com você, o seu sofrimento e a percepção do outro.
  2. Humanidade compartilhada: o sentimento e a conexão uns com os outros, não estamos isolados (interser)
  3. Bondade amorosa: sermos amáveis conosco, com o outro, em vez de ser tão crítico.

Principalmente para as mulheres, a ideia de cuidar do outro, pensar no bem estar do outro primeiro, colocar-se em segundo plano, é muito comum e até estimulada sob pena de ser vista como egoísta, uma má mãe, esposa, irmã ou amiga.

Sabemos da literatura científica que aproximadamente 78% das pessoas são mais compassivas com os outros do que consigo mesmas. Como desenvolver a autocompaixão  diante deste cenário histórico? Por quê? Para que?

A autocompaixão não implica em autossuficiência, muito pelo contrário, o empoderamento surge da humildade e, ao mesmo tempo coragem, de poder receber compaixão do outro, pedir o que necessita, ser autêntico. A imagem que me vem é a do filme monstros SA, em que no início do filme os monstros conseguiam obter energia a partir do medo das crianças e ao final descobrem que a alegria, ou no nosso caso o amor, conseguiam fornecer muito mais energia. Aprendemos a nos desenvolver pessoal e profissionalmente a partir de diferentes medos; de não ser aceito, de não ser suficiente, de não ser querido, etc. Viver desta forma, em estado de alerta constante não nos faz bem, não nos traz saúde. As práticas de compaixão podem desativar o sistema de ameaça, fuga e luta, trazendo assim melhor qualidade de vida.

Precisamos acolher nossa criança interior, a nós, em todos os momentos, em especial nos momentos dolorosos.

Diante de uma situação desafiadora precisamos reconhecer nossos sentimentos e necessidades não satisfeitas. As necessidades necessitam ser reconhecidas, não necessariamente satisfeitas para então poder reconhecer as necessidades e sentimentos do outro.

O que sentimos está baseado não no outro, mas nas nossas necessidades. A medida que conseguimos nomear o sentimento, a amígdala, parte do cérebro responsável pela mediação de respostas fisiológicas à ameaças, nossa reatividade; diminui sua atividade.

Por quê e para que sermos autocompassivos? A prática de autocompaixão é para nos acompanhar durante o processo, não para resolver ou mudar algo. Por exemplo: a mãe abraça e cuida do filho gripado apesar de saber que sua atitude não irá livrá-lo da gripe, mas o confortará, tornará a relação com a dor, com a gripe, menos dolorosa. Podemos ilustrar ainda de outra forma; se uma criança cai, se machuca, chora, o que você faz? Qual sua reação natural? Tentar acolher, cuidar, para aliviar o sofrimento. O que fazemos conosco? Nos tratamos com o mesmo carinho e cuidado?

E o que a compaixão tem a ver com a alimentação? Quanto mais cultivamos aceitação, compreensão e compaixão por nós mesmos, mais motivados estaremos para fazer o que necessitamos para cuidar-nos, incluindo comer, já que a alimentação permeia toda a nossa vida, é recheada de memória, sentimentos, emoções…

A prática de auto compaixão protege contra as condutas alimentares de risco e o comer emocional. Há um vínculo positivo entre auto compaixão e exercício.

Você já reparou se existe uma voz julgadora dentro de você, que traz, em diferentes momentos e inclusive no momento de comer, frases rudes do tipo: Fracassada! Você nunca vai conseguir! Você não tem jeito mesmo!? Veja se é possível acolher essa voz crítica, julgadora, de forma mais compassiva; mesmo de uma forma ruim, a intenção é boa para com você; por trazer limites, regras. Com o tempo, se você levar abertura e curiosidade, estando atenta ao seu processo, talvez você possa, aos poucos, ir substituindo sua voz julgadora por uma voz mais compassiva; “Vamos lá, você consegue!” “Continue tentando!” “Você precisa cuidar de você!” “Confie e prossiga!!! “ “Melhor não é?”

Abandone o modo de pensar tudo ou nada; cada momento de comer é uma nova oportunidade. No contexto compassivo não cabe o “enfiei o pé na jaca” não tem mais jeito.

Você está se cuidando com carinho e respeito? Como você se cuida? Bebe água, pede um abraço, liga para um amigo… O que necessita neste exato momento de sua vida para ser feliz agora e não depois de perder os X ou Y quilos que idealizou? O que te impede?

Tudo bem que você esteja acima do peso, insatisfeita com seu corpo neste momento; “a felicidade não está onde estamos e sim onde a pomos e nós nunca pomos onde estamos” diz a poesia de Vicente de Carvalho, o poeta do mar. Viver assim só nos leva à ansiedade, à frustração. É preciso abrir espaço para a gratidão, amando antes de mais nada o que temos hoje, aqui e agora, acolhendo o que está, o que é, para que possa melhor se tornar!

Do fundo do coração desejo que você possa trazer o olhar compassivo, de respeito, de cuidado, de honra, de amor ao seu corpo e ao alimento que te nutre!

Autora: Daiana Garbin

 

Comida de verdade: O que isso tem a ver com você?

Comida de verdade: O que isso tem a ver com você?

Você come comida de verdade? Sabe o que este termo significa?

O guia alimentar brasileiro, um dos mais elogiados no mundo, propôs esta nomenclatura e você vai entender melhor a partir da classificação  dos alimentos em 4 categorias:

Alimento in natura ou minimamente processado: Alimento obtido da natureza (frutas, legumes, verduras, tubérculos e ovos, por exemplo). Minimamente processados são os que passaram por pequenas intervenções, sem adição de outros ingredientes (farinhas, frutas secas, iogurte natural, café).

Ingrediente culinário: aqui se incluem os ingredientes que usamos apenas para preparar os alimentos in natura ou minimamente processados. Eles não são consumidos isoladamente, mas entram nas preparações para temperar, refogar, fritar, cozinhar. Ex: sal, açúcar, azeite, manteiga, vinagre.

Alimentos processados:  formado por alimentos in natura que receberam adição de sal, açúcar, óleo ou vinagre e foram submetidos a técnicas como cozimento, secagem, fermentação e métodos de preservação, como salga, salmoura, cura e defumação. Ex: Pães, queijos, carne seca e conservas.

Produtos ultraprocessados: São aqueles que imitam comida, são feitos na indústria e normalmente não estão presentes na cozinha. Ex: gordura vegetal hidrogenada, xarope de frutose, espessantes, emulsificantes, corantes, aromatizantes, realçadores de sabor e vários outros tipos de aditivos. Lasanha congelada, molho de tomate pronto, refrigerante, suco adoçado, achocolatado e temperos prontos são mais alguns exemplos.

Assim, a comida de verdade, seria aquela minimamente processada, permitindo receber os nutrientes e a vitalidade da natureza, oportunizando também diferentes preparações culinárias.

O que comer ou não comer a “comida de verdade” pode ter a ver com você?

Ao consumirmos, principalmente os ultraprocessados, que buscam fazer emergir sensações de prazer, que são fáceis, rápidos, muitas vezes baratos; estamos cuidando de nós, respeitando o nosso corpo, valorizando a nossa saúde?

Você sabia que é muito difícil para o nosso corpo perceber tantos elementos presentes nos ultraprocessados e, por não estar pronto para reconhecer tantas substâncias químicas diferentes, sentimos um vazio, não encontramos satisfação e acabamos por comer mais para ter o mesmo prazer?

De verdade, o que você vem fazendo com você? Como vem se tratando? Quão verdadeiras e genuínas têm sido as suas escolhas? Quanto você tem se permitido ser verdadeira consigo mesma? Acolhendo sua tristeza, frustração, com carinho, compaixão, paciência; sem tentar mostrar por fora o que não sente por dentro, tipo o imitar a comida de verdade?

O alimento “in natura” ou minimamente processado nós transformamos, cortamos, temperamos, cozinhamos… fazemos escolhas… Leva um tempo;  é um processo!

E quando comemos o que está pronto, na caixinha, na embalagem, qual é verdadeiramente a nossa busca? Queremos nos nutrir, ou simplesmente resolver um problema? Não sei ou não quero cozinhar; não tenho tempo de preparar minhas refeições, vou dedicar meu tempo a fazer outras coisas mais importantes/interessantes? Trabalho muito e quero encontrar a comida pronta e descansar?

Nada contra em você recorrer a estas opções de vez em quando, em situações emergenciais, mas se esta é a base de sua alimentação, se não há lixo orgânico, mas apenas recicláveis em sua casa, talvez seja interessante se abrir, estar curioso para com você, com a sua vida, suas relações… Estamos vivendo, nos nutrindo, ou apenas existindo, sobrevivendo?

O alimento que ingerimos passa a fazer parte de nós, pode falar um pouco de nossos anseios, modo de vida; presença ou ausência.

Pense nisso; que o alimento seja remédio, vitalidade, cuidado e proteção em sua vida; que proporcione saúde, bem estar, consciência, respeito!

Que você possa desfrutar de verdade de todos os aromas, sabores, cores que a natureza oferece, que com abertura e curiosidade você possa criar, receitas, formas, jeitos de se alimentar e também se nutrir!

Autotora: Daiana Garbin

 

Você sabe a hora de parar de comer?

Você sabe a hora de parar de comer?

Talvez você nunca tenha parado para pensar nisso; o ato de comer pode ter se tornado tão automático que você não presta muita atenção no momento em que inicia ou termina a refeição e, se você nem sabe porque começou a comer, pode ser difícil saber a hora de parar…

Com o intuito de levar mais consciência a esse processo, permitir que você se perceba, vamos dar algumas dicas a fim de que você possa de fato escolher de forma consciente quando interromper sua alimentação, respeitando mais o seu corpo.

Suponhamos que você começou a comer e vai parar quando:

a) já deu o horário de retornar às suas atividades laborais,

b) as pessoas com quem você está comendo já terminaram a refeição e você tem vergonha de comer mais,

c) você acha que ingeriu uma grande quantidade de calorias, então, motivada pelo medo, pela cognição, decide parar,

d) o alimento que colocou no prato acabou e não dá ou você por algum motivo não quer repetir,

e) você já está se sentindo desconfortavelmente cheia ou sentindo-se culpada.

Estas são possibilidades de como terminar uma refeição, mas será que são as melhores, mais adequadas para preservar sua saúde? Vejamos: se já deu o horário para retornar às suas atividades laborais, talvez você não tenha comido o suficiente ou tenha comido rápido demais que nem sentiu o sabor do alimento.

Se você não comer mais só porque os outros pararam, talvez a quantidade suficiente para eles não seja a mesma que para você, eles podem comer mais rápido ou ainda você poderia estar apegada (o) a algum sabor, buscando prolongar a sensação prazerosa.

Se ficou então ruminando sobre a quantidade de calorias, encheu-se de julgamentos; nem está ouvindo o seu corpo e possivelmente irá se castigar caso pense que exagerou.

Se a comida acabou, talvez tenha restado ainda um espaço em seu estômago e você acabe buscando um outro alimento, que não seja tão adequado para você.

Exagerou? O sentimento de fracasso, culpa, arrependimento por ter comido muito podem fazer com que você acabe perpetuando esse processo, se auto sabotando na busca do alívio psicológico dessa sensação ruim.

De forma consciente, você tem 3 informações que seu corpo pode dar para te ajudar a descobrir o momento apropriado de encerrar a refeição:

  1. Saciedade do gosto Se você estiver atenta (o) ao que está comendo, sem que pressa ou ansiedade te dominem, perceberá que o alimento ingerido, em especial aquele que você mais gosta e que muitas vezes por apego ao sabor te faz comer mais, não mantêm o mesmo gosto e, não te satisfazendo mais, não há porque continuar comendo na busca de eternizar uma sensação prazerosa que não dura para sempre.
  2. Saciedade do corpo – Ao nos alimentarmos também buscamos este tipo de saciedade; os alimentos contêm nutrientes, nos dão energia, se transformam em glicose (açúcar) e isto mantém a taxa de açúcar no sangue (a glicemia) para que possamos desempenhar diferentes funções (da sabedoria popular “saco vazio não para de pé”).
  3. Plenitude do estomago – Por fim, podemos utilizar a o quanto sinto meu ideia do quanto meu estomago está cheio para saber o momento de parar. Se pensássemos em uma pontuação de 0 a 10, o melhor momento para parar de comer seria entre 6 ou 7 no máximo, ou seja, sem se sentir desconfortavelmente cheia (o), uma vez que o cérebro demora em média uns 20 minutos até compreender quando estamos saciados. O importante é não ficar com o estômago muito vazio (abaixo de 5) e nem muito cheio (acima de 7), de forma a poder terminar a refeição com disposição.

A saciedade do gosto, do corpo e a plenitude do estômago estão sempre disponíveis, basta você acessar. Seu corpo é sábio, é capaz de te orientar para a saúde, mas, para tanto, você deve estar atenta (o), conectada (o) às suas necessidades, sensações, emoções, sentimentos e pensamentos.

Que você possa desfrutar plenamente cada garfada, que não se apegue demasiadamente aos sabores, que se abra, sem julgamento a cada experiência de comer e que sua atitude seja norteada pelo respeito a si mesma (o), sua saúde e seu corpo, valorizando sua sabedoria interna!

Autora- Daiana Garbin

 

Inverno: sob as lentes de Mindfulness e Mindful Eating

Inverno: sob as lentes de Mindfulness e Mindful Eating

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Inverno: sob as lentes de Mindfulness e Mindful Eating

Por Vera Salvo

Segundo o dicionário, a palavra Inverno vem do latim: hibernu, tempus hibernus.  Significa mergulhar num estado de sonolência e inatividade, onde as funções vitais do organismo são reduzidas ao absolutamente necessário à sobrevivência. Esse tempo hibernal está associado ao ciclo biológico de alguns animais ao entrar em hibernação e se recolherem durante o período de frio intenso, escassez de chuvas, baixa umidade do ar.

Será que as mudanças promovidas pelas estações nos afetam? Ecoam em nós? Somos seres da natureza e ela pode nos ensinar muito se estivermos atentos e abertos.

Durante o inverno, várias espécies de aves migram para outros locais com o intuito de fugir do frio. Também nós, em uma reação natural, automática, procuramos fugir do desconforto, do que nos faz sofrer e, com mindfulness, o convite de levarmos equanimidade às sensações, sem rechaço ou apego. Ao estarmos presentes, a oportunidade de usufruir, da melhor forma possível, o que se apresenta, o que é e não o que gostaríamos que fosse.

Boa época para resgatar as relações tão distantes nos dias de hoje pelas facilidades tecnológicas e voltar a reunir pessoas em torno do fogo, lareira ou fogão e ficar horas conversando, cultivando as relações, trocando experiências do dia a dia e claro, partilhando o alimento.

Nesse momento, uma parte da Terra é menos iluminada pelos raios solares, dando origem a dias mais curtos e noites mais longas. Ótima oportunidade para diminuir o ritmo, para ouvir nosso mundo interno. E de mindfulness, com gentileza, abertura e curiosidade, entrarmos mais em contato com nosso lado sombra, aspectos de nós que escondemos, mas que podem ser, se encararmos o medo, oportunidades de autoconhecimento e cura incríveis!

Olhando para a natureza, as árvores sem folhas, pouca luz, podemos ter a ideia precipitada de morte, fim…. Em vez disso, a sabedoria da natureza nos ensinando: as árvores perdem as folhas para sobreviver ao frio e voltar com mais vigor na primavera. Impermanência da vida, morte e renascimento. Tempo necessário para ajustes. A hibernação do urso é possiblidade de concentrar sua energia para despertar posteriormente, preservado da estação fria; para nós, a inércia aparente por fora, trazendo a quietude e instrospecção necessárias para novos e importantes movimentos que a vida trará na primavera.

E despertando a sabedoria interior, a conexão do corpo, acompanhando a tempertatura e características da estação, época de beber bastante liquído, hidratar (os felinos aqui de casa não se descuidam, o pote de água esvazia-se rapidamente); de buscar frutas e sucos de frutas para aumentar a imunidade com a ingestão de vitamina C e outros antioxidadntes. Aquecer o corpo com comida e bebidas mais quentinhas.

Que possamos desfrutar o inverno,
Aquecendo nosso coração,
Na companhia de nossos queridos,
Nutrindo o corpo com carinho e consideração!

Inventando um motivo para ficar junto,
Nada melhor do que se aquecer,
Ver e apreciar a dança do fogo,
E ao redor da lareira ou da fogueira uma boa conversa manter!
Raramente nos permitimos, algumas horas passar
No aconchego de amigos e familiares
O que para a nutrição da alma não pode faltar!
Que aproveitemos com alegria o inverno,
E também cada uma das outras estações,
Aceitando o que temos,
Sem que para sermos felizes façamos imposições.
Porque no contexto de Mindfulness,
Não é sobre o quê, mas como podemos viver,
Nos permitindo desfrutar,
Cada estação, situação que a vida oferecer!
Que as folhas secas caídas,
De adubo possam servir,
Para que floresça depois a primavera,
E que nosso lado luz possa emergir!

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Mindful eating em ambientes sociais? É possível?

Mindful eating em ambientes sociais? É possível?

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Mindful eating em ambientes sociais? É possível?

Segundo Moreira (2010), a história do homem se confunde com a história da alimentação. A partilha de alimentos, também denominada comensalidade, é prática característica do Homo sapiens, desde os tempos de caça e coleta. A ciência começou a reconhe­cer que os valores simbólico, emocional e histórico dos alimentos e das suas preparações culinárias também possuem importância para a saúde.

A alimentação é, na maioria das vezes, um processo voluntário, influenciado por fatores culturais, econômicos e psicológicos e como fenômeno social vai além da dimensão biológica de consumir os nutrientes necessários à sobrevivência, à satisfação das necessidades fisiológicas pois está recheada de diversos significados.

Para nós brasileiros, nem tudo que alimenta é sempre bom ou socialmente aceitável, ou seja, para nós, não basta ser alimento que pode ser consumido para nos manter vivos; precisa ser comida, ou seja, aquilo que se come com prazer.

Comer acompanhado, porém, nos coloca necessariamente diante do outro, do grupo, de alguma companhia, utilizando o ato de comer como veículo para relacionamentos sociais. Neste mesmo raciocínio, a origem da palavra companhia deriva da palavra latina companion significa: uma pessoa com quem partilhamos o pão”; cultivamos amizade.

Mais recentemente, diversos estudos mos­traram que as circunstâncias que envolvem o ato de comer – o local, o estresse, a interação social – são determinantes na quantidade e na qua­lidade dos alimentos consumidos.

O mais recente Guia Alimentar para a População Brasileira considera em suas recomendações a comensalidade e o modo como se come, recomendando o comer com atenção, de forma mais lenta, sem envolvimento com outras atividades, bem como o comer em companhia de familiares, amigos ou colegas de escola/trabalho; entendendo que características como tempo, atenção e companhia à mesa são determinan­tes para uma alimentação saudável e para a saúde. O novo guia canadense sugere também que as pessoas cozinhem mais e comam com outras pessoas reservando um tempo maior para se alimentar; em outras palavras, mindful eating.

A presença de outras pessoas durante o ato de comer também pode impactar profundamente o consumo alimentar. Comer em companhia traz inúmeros benefícios; suprindo uma necessidade de contato, reforçando laços sociais e, para crianças e adolescentes, a frequência de refeições em família foi associada com maior qualidade da dieta, menor ocorrência de distúrbios alimentares e de sintomas depressivos além de proteger da obesidade.

Comer em companhia traz ainda outros benefícios como:

Fortalecimento de laços afetivos – Ao sentar em torno da mesa divide-se mais que uma refeição, mas a possibilidade de trocar ideias, compartilhar experiências vividas ao longo do dia, estreitar laços, reforçar vínculos.

– Incentivo à boa alimentação – As crianças aprendem pelo exemplo, não pelas palavra e isso também vale para a alimentação. As refeições em família são fundamentais para incentivar bons hábitos alimentares.

– Mais atenção àquilo que se ingere – Ao comer em companhia, há maior possiblidade de prestar atenção ao que se ingere do que em frente à televisão.

Tudo o que está acima escrito, alinha-se a proposta de mindful eating. Ao praticar mindfulness (atenção plena)  e levar ao momento da refeição, é possível perceber melhor padrões, comportamentos, por exemplo: Há pessoas que com amigos, comem menos, outras comem mais. E, levando curiosidade para todo o processo, porque será que como menos quando estou com amigos e família, porque estou me nutrindo de outras formas, em outros corpos (emocional, psicológico) ou ao comer mais quando estou com colegas de trabalho e as vezes com amigos, será que é a ansiedade que está indo para o prato? A partir da consciência baseada em atenção plena talvez seja possível perceber o quanto o ambiente externo me influencia, o local em que realizo as refeições, sons, ruídos, utensílios, o quanto a emoção influencia escolhas alimentares ou ainda quanto procuro restringir o que como diante de outras pessoas por autojulgamentos.

E aí vem a pergunta, mas como posso praticar mindful eating (consciência alimentar baseada em mindfulness) e ao mesmo tempo estar com amigos, familiares, colegas? Não preciso estar sozinho, em silêncio para me concentrar? Claro que não! Acha mesmo que estando sozinho, em silêncio, está mais atento? Na solidão, muitas vezes é o momento em que mais conversas mentais surgem e não permitem perceber o que foi para o prato.

Algumas dicas para levar mindful eating para os eventos sociais:

– Evite sair para festas, encontros ou outros eventos sem comer nada ou com muita fome; se você estiver faminto, não haverá consciência alimentar, o corpo só vai querer resolver o problema e a tendência nestas circunstâncias é comer demais;

– Procure fazer uma pausa antes de começar a comer, respire mais profundamente duas ou três vezes, em vez de ir para a refeição no turbilhão do dia a dia;

– Perceba como está sua mente, coração, corpo, ou seja, os pensamentos, sentimentos e sensações presentes e reconhecendo o que está, a fim de que seu prato não seja preenchido reativamente;

– Divida a atenção entre o seu prato, o que está comendo, saboreando cada garfada, com a conversa com sua companhia; não será possível falar de boa cheia, então aproveite e desfrute o que estiver na boca, momento a momento, cada bocado;

– Mantenha a intenção de nutrir-se, procurando não julgar, acreditando mais nas sensações do corpo do que nas conversas da mente;

– Conecte-se com você, com as pessoas à sua volta e, nas refeições, desligue a TV, o celular;

– Respeite seu paladar, seu corpo, iniciando e encerrando as refeições a partir dos sinais que seu corpo envia, fortalecendo sua sabedoria interna; nem comer pouco demais e ficar com fome e nem em excesso para não se sentir mal.  Que as refeições em companhia possam subtrair tristezas, multiplicar vínculos, dividir saberes e somar força e amor às relações!

Acesse a nossa agenda e participe de um programa de Mindful Eating https://spmindfulness.com.br/agenda

 

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Descubra o que é Mindful Eating (Comer Consciente)

Descubra o que é Mindful Eating (Comer Consciente)

Você acha que está consciente sobre sua alimentação? Esta é uma pergunta muito ampla e talvez você sinta dificuldade de responder. Pode ser que ao ler esta pergunta, muitas outras surjam em sua mente; como: o que é estar consciente sobre minha alimentação? O que envolve a consciência alimentar?

A alimentação representa um universo de possibilidades e, segundo Humberto Maturana, é um ato vital, diário e complexo. Como assim? Para ajudar a responder a primeira pergunta deste texto, vamos utilizar uma parte do modelo da médica Michele May, trazendo vários outros questionamentos que poderão ajudar a olhar a alimentação de maneira ampliada e consciente. Por exemplo, você já se deu conta do porquê você come? Por que tem que comer para viver? Por que está na hora de sua refeição? Por que outra pessoas que estão juntas com você estão comendo? Por que há comida gostosa e grátis disponível? Por que seu corpo está pedindo?

O comer consciente (Mindful Eating)

Você sabe o que está comendo, de onde esse alimento vem, como é a cadeia produtiva, de distribuição? Consegue compreender as informações nutricionais contidas no rótulo dos alimentos industrializados ou há nomes de substâncias químicas, uma lista de ingredientes que você desconhece o que seja? Como você come? Está atento às suas escolhas, o que coloca no prato, aos pensamentos, sentimentos e sensações no corpo enquanto se alimenta? Come em pé, sentado, quase deitado no sofá ou em sua cama?

Talvez você até já esteja se sentindo angustiado com tantas perguntas e se tudo isso e muito mais envolve a consciência alimentar, provavelmente a resposta que esteja emergindo seja NÃO, não estou consciente e isso é perfeitamente natural. Em nosso mundo com tantos estímulos de toda a ordem, ansiogênico, capitalista, que hipervaloriza o fazer, o ter, sobra pouco espaço para sentir, perceber. É muito comum estarmos desatentos ao que fazemos enquanto acordados; um estudo da Universidade de Harvard aponta que aproximadamente 47% do tempo estamos desatentos e, a alimentação sendo parte de nossa vida, não fica fora disso.

mindful-eating o que éO que fazemos na hora da refeição? A resposta poderia ser óbvia, não? Eu como! Simples assim e ao mesmo tempo extremamente complexo. Por quê? Na hora do almoço estamos de fato nos dedicando a nos alimentar, nos nutrir, estando presentes em cada sensação de comer, a tudo que emerge na experiência de nos alimentarmos? Para a grande maioria não, estamos praticando o que vamos chamar de mindless eating, ou seja, comemos de forma desatenta, desconectada de nosso corpo, de nossos pensamentos (que são muitos), de nossos sentimentos e emoções e, neste processo de desconexão, executando múltiplas tarefas, com inúmeras pressões, com tempo escasso frente a tudo que gostaríamos de fazer. Comemos de forma mecânica, automática, muitas vezes até como mais uma tarefa, obrigação de nosso dia tão atribulado. Não raro, nosso comer é ansioso também, mal mastigamos, não descansamos o talher, já estamos no futuro, na próxima garfada, com pressa de ir para a próxima tarefa, nem sempre existente, ou necessária, mas o importante é não perder tempo, sempre na corrida, humanos buscando acompanhar as máquinas…

Em contraposição ao mindless eating surge uma nova abordagem o mindful eating, como um braço de mindfulness, assunto que você já teve oportunidade de ver em outro vídeo com a psicóloga e instrutora Viviam Vargas de Barros. Como um braço de mindfulness, mindful eating vem cultivar a possibilidade de nos reconectarmos com o lado humano, menos cartesiano do comer, com mais abertura, gentileza, curiosidade e com menos julgamentos a cada alimento que está disponível para nosso consumo.

Mindful eating nos dá a possibilidade de fazer escolhas, não apenas a partir das regras, informações científicas e nutricionais, que chamamos de sabedoria externa da Nutrição, mas também e principalmente, a partir da sabedoria interna, dos sinais que nosso corpo envia, para ser melhor cuidado, respeitado, apontando quando podemos começar a comer e quando seria momento de parar. Além disso, a percepção ampliada em como muitas vezes o alimento, ou uma refeição pode preencher, modificar nosso estado interno e não apenas trazer nutrientes, regular a glicose no sangue, trazer energia a partir de sua composição.

À semelhança de Mindfulness, Mindful Eating possui diferentes definições segundo os diversos autores de protocolos existentes e a essência destas definições você encontra acima; todavia, gosto de definir Mindful eating de uma forma ainda mais ampla, entendendo como forma de autocuidado, autoconhecimento, tendo no alimento a possibilidade de construir a saúde integral, uma forma de se relacionar com o corpo e alimentação de maneira mais prazerosa, pacífica e compassiva.

mindful-eating-cpm-mindfulness

Preciso então estar sozinha no momento da refeição para praticar mindful eating? Claro que não, alimentação é compartilha, tem sentido social, não visa o isolamento. Você pode estar só, mas estar engajado em conversas mentais, passado, futuro e ausente da refeição.

Nós sempre nos alimentamos, mas nunca estivemos tão perdidos como agora. Nos conectamos com o mundo todo, temos centenas, as vezes milhares de pessoas, “amigos”, nas redes sociais, mas nos distanciamos de nossa essência, de nós mesmos, de nosso corpo. Nesse processo de desconexão, o alimento que deveria promover saúde, qualidade de vida, vitalidade, está nos adoecendo… Cada vez uma imposição maior de restrições sob pena de adoecer graças a alimentos que vêm sendo modificados geneticamente, que estão carregados de pesticidas, corantes, aromatizantes, conservantes, confundindo e intoxicando nosso corpo. E, como se isso não bastasse, povoamos mente e coração de inúmeros e cruéis julgamentos para com o corpo, os alimentos e para conosco.

Na busca do corpo ideal, perseguindo fotos irreais, construídas em softwares de imagem, impõe-se ao corpo restrições alimentares severas do ponto de vista quantitativo e qualitativo e, por consequência, surge a compulsão. Muita culpa, auto sabotagem, autopunição emergem. A necessidade de reconhecimento, da perfeição, buscando a felicidade ao nos compararmos com o outro, permite que o sentimento de frustração, de insuficiência e baixa auto-estima se instalem.

O incentivo para parecer-se e não para ser, de evita o sofrimento, de fugir da experiência, de não entrar em contato, facilita, dentre outros, o comer transtornado, que é uma relação distorcida com o corpo e alimentação. Muitas vezes na tentativa de emagrecer ou manter o peso, a saúde do corpo pode ficar comprometida a partir do uso de diuréticos, laxantes, prática intensa de exercícios e/ou restrições alimentares severas sem orientação profissional.

Mindful eating não é uma nova dieta e, particularmente não gosto de conceituar como ferramenta, pois minimiza seu potencial, mas como abordagem, forma de estar, de se relacionar com o corpo, com o alimento, com a vida; levando não a um maior controle, como um fiscal que observa e espera o momento de fragilidade para punir, mas como forma de auto empoderamento, para assumir o comando, o poder de escolha, de forma consciente, respondendo em vez de simplesmente reagir.

O que quero dizer com isto? É muito fácil, na rotina do dia a dia, no automatismo e desconexão, reagirmos aos estímulos que chegam e, sem perceber, levar para o prato. Quantas vezes confundimos fome com sede? Um frio na barriga confundido com fome? Um vazio no peito, um desconforto emocional que termina com uma parada na cozinha e repetidas visitas à geladeira sem levar à saciedade?

Respondemos a diferentes fomes, que segundo a professora Jan Chozen Bays são 9, passando pelos nossos sentidos (tato, olfato, paladar, visão e audição), incluindo as emoções (fome do coração), a mente e o corpo (estomago e celular), normalmente sem perceber ao que estamos respondendo, simplesmente reagimos. O alimento é usado como recompensa, como forma de nos anestesiar para aquilo para o que não estamos preparados ou não nos permitimos acolher…

À medida que, a partir das práticas de mindfulness e mindful eating nos aproximamos mais do corpo, reconhecemos pensamentos, sentimentos e sensações corporais, temos mais chances de responder adequadamente às necessidades de nosso corpo; levar autocuidado. Como é possível atender ao que o corpo necessita se não notamos que ele precisa de algo e muito menos o quê?

A partir de práticas formais (quando reservamos um horário do dia para praticar os exercícios sugeridos) e informais (o que podemos incorporar no dia a dia), além de um pouco de psicoeducação, vamos, aos poucos, abrindo espaço para uma mudança de comportamento, de relação com nossa alimentação e corpo.

Que estando mais mindful no dia a dia, a cada momento de nos alimentarmos, possamos aprender um pouco mais sobre nós, refletido no ato de comer; que encararemos cada momento de refeição como oportunidade única de estar presente, reconhecer-se, cuidar-se, respeitar-se e cultivar saúde no corpo, na mente e no coração!

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